Sérgio Sousa é um dos ciclistas portugueses mais acarinhados pelo público, as suas conquistas, o carisma mas em especial a sua simplicidade tornaram-no num atleta de referência, as Barras Olimpo foram tentar conhecer um pouco mais este atleta profissional do ciclismo português!

És capaz de nos contar como vieste parar ao ciclismo e como te tornaste ciclista profissional?
-Entrei para o ciclismo de estrada com 15 anos, numa equipa que havia em Santo Tirso. Ano após ano, foram surgindo vários convites de algumas equipas até que, um dia, aparece a proposta de uma equipa profissional: foi em 2005, pela já extinta equipa Madeinox-Canelas.

Quais são os pontos-chave para alguém que pretende tornar-se ciclista profissional em Portugal? (Sorte, conhecimentos, empenho, características inatas…)
– Para mim o ponto-chave é a persistência do atleta. Em Portugal, no mundo do ciclismo, praticamente todos se conhecem e, se és um ciclista com qualidades acima da média, facilmente os Directores das equipas profissionais vão conhecer-te. Mais tarde ou mais cedo, eles vão à procura desses novos talentos.

Esta época (2015) foi uma época de grandes mudanças. Qual o maior desafio que enfrentaste nestas mudanças todas?
– Quando se muda de equipa temos sempre que nos readaptar a novos hábitos, a novas maneiras de trabalhar, mas os objectivos são quase sempre os mesmos. Em 2015 o maior desafio foi mesmo encarar o papel de “Capitão” e fazer com que toda equipa remasse para o mesmo lado.

Na Volta a Portugal acabaste em 7º da geral, que acaba por ser uma boa prestação tendo em conta que foste o 4º português. Que expectativas tinhas tu para esta Volta?
– Procurava um pouco mais, contudo fiquei bastante satisfeito, não só pela minha prestação mas também pela forma como a equipa sempre me apoiou ao longo do ano até à Volta a Portugal.

Como é que a equipa LA-Antarte se preparou esta Volta a Portugal?
– A LA-Antarte tentou aproveitar o inicio de época, onde se realizaram muitas competições, para trabalhar em bloco, de forma a ser uma equipa o mais unida possível. Foram quase 3 meses de competições, um ligeiro descanso e os 2 meses que antecederam a Volta foram feitos praticamente em estágios, em equipa e individuais; no ciclismo, a preparação individual também é muito importante: treinar de menos implica que não exploremos o nosso corpo ao máximo, treinar de mais mata o nosso corpo.

Quais as principais dificuldades que se encontra numa prova como a da Volta a Portugal?
-Para além das dificuldades do percurso é também a pressão de ter de dar o nosso melhor. A constante concentração pode acabar por ser tão desgastante como pedalar.

Sentes que o apoio dos teus admiradores, e das pessoas em geral, são importantes para motivar no decorrer de tantas etapas e tantos km?
– São os nossos admiradores, os incentivos pela estrada fora que fazem com que um ciclista consiga levar o corpo ao limite.

Fala-se que o ciclismo em Portugal está a perder público, interesse por parte dos fãs e patrocinadores. Concordas com isto?
– Não concordo com isso, acredito sim que o ciclismo actual não está a saber explorar ao máximo as suas capacidades.

O que achas que se poderia fazer para que o ciclismo em Portugal volte a ganhar força e adeptos?
– O ciclismo/equipas/patrocinadores precisam de acompanhar o resto da Europa e não se agarrar a uma só competição por época. Há competições em Portugal que, a nível internacional, têm mais impacto que a própria Volta.

Este ano foste um dos principais responsáveis pela introdução das Barras Olimpo na tua equipa (La-Antarte). Achas que foi uma aposta ganha?
– Sem dúvida! Pela primeira vez em 10 anos de atleta profissional consegui ver uma equipa inteira que, durante toda a Volta, conseguiu comer as mesmas Barras Energéticas, e chegar ao último dia de competição e praticamente o único abastecimento que conseguiam comer era as Barras Olimpo.

Qual a principal diferença que vocês atletas sentem quando consomem este tipo de produto mais natural?
– Penso que a maior diferença é a longo prazo, sentimos que após alguns dias de competição o corpo continua a assimilar a Barra 100% Natural como se fosse a primeira vez que a comesse.

Há ainda pessoas que temem que este tipo de produtos lhes possa retirar performance. Qual a tua opinião?
– Acredito que as pessoas que ao longo dos anos foram habituando o seu organismo a uns certos químicos, a umas certas quantidades de sal e açúcar em excesso, quando comem pela primeira vez produtos 100% Naturais acabam por ficar com a sensação que falta algo, ficam insaciados.
É uma questão de tempo e verem que, a longo prazo, o nosso organismo acaba por sofrer muito menos danos colaterais com os produtos mais naturais.

Agora neste momento quais são os teus planos, que desafios tens pela frente?
– Agora é relaxar um pouco, olhar para traz e analisar o que foi feito e o que se pode melhorar. Quanto à 2016, ainda não consigo fazer grandes planos.

Como é que se concilia uma carreira profissional com família e, no teu caso, também com filhos?
– Isso é uma resposta difícil, principalmente pela dificuldade em explicar o ponte de vista de um atleta profissional a uma pessoa “comum”.
Passar um mês fora da família e não sentir saudades, isso é impossível, mas estamos tão empenhados em concretizar objectivos que os meses, as épocas, passam sem pensarmos muito nisso.

Quem a pessoa que mais te inspira, que mais admiras?
– As pessoas que me inspiram são todas aquelas que acreditam que sou capaz, que me apoiam, que me aconselham o melhor caminho. Quem mais admiro é a minha Mulher e os meus Pais, pois fazem quem que a minha ausência em casa não seja um obstáculo.

Por último, o que é para ti o ciclismo?
– O ciclismo é mais que um desporto, é um estilo de vida que te prepara para quase tudo na vida. É um estilo de vida que, se me permitissem, andava até aos meus últimos dias.

Obrigado e continuação desta evolução natural.

Sérgio Sousa é atleta profissional de ciclismo, que conta com o apoio das Barras Olimpo