Ricardo Silva da equipa Viana Trail vence os 100km UTSM – Ultra-Trail da Serra de São Mamede, 3500D+ com o incrível tempo de 9h 55m. Fomos tentar conhecer um pouco mais este atleta!

Parabéns Ricardo por esta vitória.

Quais eram as tuas expectativas para esta prova?

As expectativas eram tentar ajudar ao máximo a equipa para vencer coletivamente. Primeiro estava o resultado coletivo e só depois o resultado individual, se bem que ambos estão interligados.

Quais foram as tuas sensações ao longo da prova?

Na fase inicial senti-me bem, mas tive a perceção que o ritmo ia muito alto. A partir do quilómetro 40 comecei a sentir algum cansaço e foi desde esse momento que passei a olhar a prova de uma outra forma. Passei a olhar a prova de abastecimento em abastecimento e o corpo foi sempre reagindo muito bem.

Quais as principais diferenças da prova do ano passado para este ano, a motivação era maior este ano, arriscaste mais ou a experiência fez a diferença?

A prova tem um significado especial para mim. Foi a minha primeira prova com 100 km e a primeira em que tive de correr à noite.
A experiência e o facto de já conhecer o percurso podem ter sido as grandes diferenças. De referir também que este ano tive um apoio exemplar. É muito bom chegar a um abastecimento ter tudo o que precisamos, mais não seja uma palavra de apoio. Um agradecimento muito especial ao Alcobia, Bruno, Paulo e ao Sr. Domingos.

Era teu objetivo bater o tempo do vencedor do ano passado ou apenas te deixaste ir?

Não tinha qualquer objetivo quanto ao tempo.
Na subida ao castelo do Marvão tive a ligeira sensação que estava mais rápido que em 2014, mas nunca foi essa a minha preocupação. Queria mesmo era chegar ao fim!
Só nos últimos dois quilómetros é que tive a perceção do tempo que estava a fazer, foi nessa altura que o Alcobia e o Diogo me informaram do tempo e acabaram por me acompanhar até ao final.

Numa prova tão rápida e, ao mesmo tempo, longa, que tipo de suplementação/hidratação fazes?

Ao nível da hidratação é isotónico e água.
Na alimentação procuro algo que seja o mais natural possível. Nesse aspeto as Barras Olimpo são uma boa opção, são muito fáceis de comer e o organismo assimila muito bem. De salientar as Origem e as K2, estas últimas são uma verdadeira fonte de energia. As Origem têm a particularidade de ter um contraste doce/salgado, que nas provas mais longas são uma mais-valia.
Numa prova longa, também é necessário ir ingerindo alguma coisa quente, que pode passar por chá ou sopa.

O Jérôme fez segundo também com uma excelente prestação. Numa prova como esta, vocês são realmente adversários ou companheiros de trilho?

Na equipa todos somos companheiros de trilhos onde existe um espirito de entreajuda e o Jérôme é uma das minhas referências.
Treinamos muitas vezes juntos e como tal já nos conhecemos bem. Um exemplo disso foi a prova do Gerês, onde fizemos uma prova exemplar, só não foi perfeita porque o Rui se lesionou no segundo dia.
Os nossos andamentos são muito similares e as diferenças a surgirem devem-se a pequenos pormenores, que numa prova tão longa como o UTSM podem fazer a diferença.

10 de Abril, MIUT (115km), 30 de Abril Peneda Gerês Trail Adventura (130km), 16 de Maio UTSM (100km), não serão km a mais para um período de tempo tão curto?

Sem dúvida que sim!
Inicialmente o UTSM não fazia parte dos meus planos, mas à última acabei por faze-lo. Foi um período de loucos que felizmente correu muito bem.
Neste momento é necessário dar um pouco de descanso e recuperar algumas mazelas.

Fala-nos agora um pouco mais sobre ti. Qual o teu passado desportivo, e como começaste no trail?

O passado desportivo, se é que posso dizer assim, passou como para uma grande maioria dos miúdos pelas camadas jovens do futebol.
Depois disso nunca fiz nada de muito serio.
É verdade que a montanha já me despertava um pouco a curiosidade, mas o trail surge inicialmente pela vontade de ter um grupo de amigos para poder treinar.
No início de 2014, após contacto com o Alcobia, comecei a treinar com os elementos da EDV – Viana Trail.
Desde esse momento tem sido um processo de aprendizagem.

Os teus resultados são impressionantes para uma pessoa com tão pouco tempo de modalidade. A que achas que se deve a tua evolução: às tuas características físicas, ao teu treino, ou a algo mais?

Em primeiro lugar é preciso gostar do que se faz, isso é fundamental para poder disfrutar e ter prazer durante os treinos e as provas.
A evolução deve-se essencialmente a uma equipa fantástica que é o EDV – Viana Trail.
Desde o primeiro dia que encontrei um grupo de amigos sempre disponíveis para ajudar, partilhar experiencias e conhecimentos.
Quando assim é, a evolução vai surgindo naturalmente.

Qual o tipo de prova que mais te identificas?

A Serra D’Arga é talvez o tipo de prova com a qual mais me identifico, mas isso pode dever-se ao facto de treinar muitas vezes lá.
Com a experiencia vou-me adaptando aos diversos tipos de provas.

A tua prova de sonho?

Atualmente não tenho uma prova de sonho. Tenho sim vontade de experimentar várias provas, principalmente em Espanha.

Por último diz-nos o que é para ti a montanha?

A montanha para mim significa liberdade.
É muito fácil perder a noção do tempo enquanto se passei por lá.

Obrigado e continuação desta evolução natural.